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Crédito: Fotomontagem CNC

O Brasil vive um enredo cinematográfico com o ex-presidente Lula e o juiz Sérgio Moro

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Lula na prisão. Tá... Cenários melhores virão? E a construção?


BRASIL - POR REGIS GEHLEN OLIVEIRA - Um país evolui se houver boas ideias e ações para colocá-las em prática. O sonho de dias melhores no Brasil, necessariamente fruto desses dois fatores, foi condicionado a um enredo cinematográfico.

Desde o aparecimento da Operação Lava Jato na grande imprensa, o Brasil passou a brincar todos os dias, incessantemente, de polícia e ladrão. Como nos filmes de Hollywood ou 007, surgiu um arqui-inimigo, terrível, não os russos, não os comunistas, não um vilão com superpoderes para desafiar James Bond, não a KGB, ou a KAOS, mas a organização PT, e seu monstro, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, um homem com muitos tentáculos perigosos, que perdeu 4 eleições e ganhou outras 4. Do outro lado cresceu um grande agente, um xerife, o juiz Sérgio Moro, no foro da cidade-modelo Curitiba, totalmente relacionado com Brasília e a Petrobras, com seu armamento potente de corruptos na cadeia, conduções coercitivas, prisões temporárias que viraram contínuas, delações de presos que queriam se livrar da prisão, idas aos EUA para receber prêmios... No segundo papel de mocinho, como seu assistente, apareceu uma brilhante mente, um procurador, Deltan Dall'Agnol, com seus ternos elegantes para demonstrar a autoridade, sem um voto sequer, que passou num concurso uma vez na vida, não importa como, com a arma mais letal inventada até hoje, um PowerPoint de dar inveja a Albert Eintein ou a Stephen Hawking, com o poder de incriminar muita gente, com auto-auxílio-moradia, com palestrinhas para o mercado financeiro, um agente sempre em nome da Lei, desde que a Lei teoricamente seja para todos, em filme ou em mini-série da Netflix, ou no intocável meio-ambiente habitado pelos pássaros tucanos...

Aplaudindo e manifestando a inteligência e os seus princípios nas redes sociais e programas de mensagens instantâneas, entraram em cena, batendo no inimigo, mas sem aparecer muito, milhares de empresários e anônimos da classe média, prontos a convencer uma parcela dos pobres, com o discurso nobre do ódio, eles que nunca sonegaram impostos, que sempre pagaram em dia seus fornecedores, jamais corromperam fiscais para obter habite-se de áreas irregulares, em hipótese alguma corromperam guardas de trânsito ou agentes públicos, comissões por fora não receberam, caixa dois não praticaram, drogas de traficantes jamais compraram, nunca trouxeram muamba na mala em viagens ao exterior...

Como coadjuvantes, nesse eletrizante cenário, exerceram o papel, muito bem, o Senado, a Câmara e o novo órgão legislador criado no Brasil, o Supremo Tribunal Federal. Todos prontos a expressar claramente as suas posições: nesse caso a Lei é assim, neste não vem ao caso, naquele não é bem assim...

Um pequeno detalhe é que em nenhuma das cenas surgiu alguma boa ideia para levantar o país. Em Curitiba montaram uma pilha para mostrar a quantidade de dinheiro que a Operação Lava Jato "recuperou" para os cofres da Petrobras, cerca de 2 bilhões de reais, mas não mostraram a pilha equivalente aos danos causados à empresa desde 2014, com 72 bilhões de prejuízo em 4 anos, 36 vezes mais do que o "recuperado". Mas isso não vem ao caso, frase bem usada quando algo se refere aos tais pássaros. É mais cinematográfico e efetivo falar que com o combate cego à corrupção vai se resolver tudo, que nosso mundo tupiniquim é formado apenas por ladrões. É melhor destruir a imagem do Brasil, acabar com a auto-estima da população, mostrar que nada presta, que não há jeito, que só nos resta vender e entregar tudo para os estrangeiros e o grande capital internacional. Esses são bons! Eles vão trazer os investimentos de que precisamos. Resolveram todos os problemas do mundo, e onde eles estão brotam obras pelas ruas, não existem corruptos e corruptores, não há mais miséria, não há mendigos nas ruas, não há drogas, não há crimes, não há comunistas, não há Lula, não há PT, e as pessoas vivem maravilhosamente bem.

No script ficamos aqui com Lula na prisão. E, segundo o sistema de informações da ConVisão, com apenas um quarto das obras em execução que havia quatro anos atrás, sem nenhuma proposta para crescimento, a não ser um remendo de reforma trabalhista, uma emenda constitucional para limitar os investimentos. Um plano de desenvolvimento industrial, um programa de inclusão social, uma estratégia para educação eficaz, um plano para atrair investimentos e trabalho? Para quê? É melhor frases de efeito, do tipo: dias melhores virão, nasceu um novo dia, o Brasil atingiu a maturidade, e... Lula na prisão!

Um cenário promissor! Ótimo para o país! Espetacular para a construção!


Eng. Regis Gehlen Oliveira é diretor da ConVisão-CNC. É empresário há 27 anos, formado em engenharia na Poli-USP e especializado em administração de empresas pela FGV-SP. Foi subprefeito e diretor superintendente de obras do município de São Paulo. Foi fundador e coordenador geral do Construética (Comitê de Práticas e Ética na Construção) e vice-chairman do Comitê de Construbusiness da Amcham (Câmara Americana de Comércio).


DATADECOMENTÁRIO
10/04/2018Automatec RS
Carla Toscani
Parabéns, Engenheiro, pelo seu posicionamento.
Fico me perguntando o porquê de os demais empresários não compreenderem este cenário.
Pensam que irão lucrar como antes ou mais se tiverem menor custo trabalhista? Não enxergam que sem obras, sem investimento estatal não terão nem mesmo empresa quanto mais funcionários? Que as empresas estrangeiras somente virão sugar nossos recursos e irão embora? Não sabem que no mundo dos negócios não tem ninguém bonzinho?
È preciso que as pessoas conscientes como o senhor continue abrindo os olhos dos seus pares. Precisamos retomar as rédeas de nosso país que pode sim ser relevante no mundo ao contrário do que tentam nos fazer acreditar.
Parabéns mais uma vez e esse texto me traz a esperança de que as pessoas tenham começado a abrir os olhos.
Precisamos sair de dentro deste enredo de filme classe b.

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PUBLICAÇÃO DE 10 DE ABRIL DE 2018


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